A PESQUISA SOCIOLINGUÍSTICA
Fernando Tarallo
Fernando Tarallo vem através deste livro, nos mostrar as formas possíveis para se combater o "caos" linguístico, onde seremos levados a tentar processar, analisar e sistematizar este universo aparentemente caótico que é a língua falada.
O autor vai nos mostrar através de inúmeros exemplos que o suposto "caos", configura-se em um campo de batalha onde as "variantes linguísticas" (duas ou mais maneiras de se dizer a mesma coisa), digladiam, por sua coexistência e subsistência, ou como ele mesmo cita, um combate sangrento de morte.
Tarallo nos dá ainda como suporte para análises a relação entre língua e sociedade, haja vista que, a cada situação de fala na qual somos inseridos ou da qual possamos participar, percebemos que a língua falada é, a um só tempo diversificada e heterogênea. Justificando tal pressuposto, com a ideia de que apesar dessa diversidade linguística é possível a comunicação entre os membros de uma comunidade apesar de suas particularidades.
Os nossos principais objetivos serão analisar e aprender como sistematizar variantes linguísticas de uma mesma comunidade de fala, utilizando como modelo de análise proposto pelo livro, a "teoria da variação linguística". Tal teoria propõe que o suposto "caos" linguístico é o objeto a ser estudado, já que é no meio social que as variantes coexistem em seu campo natural de batalha.
O iniciador de tal modelo foi o americano William Labov, que insistia veementemente na relação entre língua e sociedade e na possibilidade, virtual e real, de se sistematizar a variação existente e própria da língua falada.
A proposta de Labov era a análise linguística, norteada por números e tratamento estatístico de dados coletados,sendo então rotulada por alguns de "sociolinguística quantitativa".
Tarallo nos mostra também que em toda comunidade de fala são frequentes as formas linguísticas em variação. Onde essas formas em variação são denominadas de variantes.
O autor nos mostra ainda que as variantes de uma comunidade de fala vão se postar sempre em relação de concorrência: padrão x não-padrão; conservadoras x inovadoras; de prestígio x estigmatizadas. Onde na maioria dos casos, a variante considerada padrão é, ao mesmo tempo, conservadora e que goza de prestígio sociolinguístico na sociedade. Ficando bem latente que a explicação para tais relações deve ser procurado sempre na configuração social da comunidade em questão, já que a língua como cita o autor, pode ser um fator extremamente importante na identificação de grupos, em sua configuração, como também uma possível maneira de demarcar diferenças sociais no seio de uma comunidade.
por Elder Neri
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