domingo, 26 de junho de 2011

RESENHA

A PESQUISA SOCIOLINGUÍSTICA
Fernando Tarallo

Fernando Tarallo vem através deste livro, nos mostrar as formas possíveis para se combater o "caos"  linguístico, onde seremos levados a tentar processar, analisar e sistematizar este universo aparentemente caótico que é a língua falada.
O autor vai nos mostrar através de inúmeros exemplos que o suposto "caos", configura-se em um campo de batalha onde as "variantes linguísticas" (duas ou mais maneiras de se dizer a mesma coisa), digladiam, por sua coexistência e subsistência, ou como ele mesmo cita, um combate sangrento de morte.
Tarallo nos dá ainda como suporte para análises a relação entre língua e sociedade, haja vista que, a cada situação de fala na qual somos inseridos ou da qual possamos participar, percebemos que a língua falada é, a um só tempo diversificada e heterogênea. Justificando tal pressuposto, com a ideia de que apesar dessa diversidade linguística é possível a comunicação entre os membros de uma comunidade apesar de suas particularidades.
Os nossos principais objetivos serão analisar e aprender como sistematizar variantes linguísticas de uma mesma comunidade de fala, utilizando como modelo de análise proposto pelo livro, a "teoria  da variação linguística". Tal teoria propõe que o suposto "caos" linguístico é o objeto a ser estudado, já que é no meio social que as variantes coexistem em seu campo natural de batalha.
O iniciador de tal modelo foi o americano William Labov, que insistia veementemente na relação entre língua e sociedade e na possibilidade, virtual e real, de se sistematizar a variação existente e própria da língua falada.
A proposta de Labov era a análise linguística, norteada por números e tratamento estatístico de dados coletados,sendo então rotulada por alguns de "sociolinguística quantitativa".
Tarallo nos mostra também que em toda comunidade de fala são frequentes as formas linguísticas em variação. Onde essas formas em variação são denominadas de variantes.
O autor nos mostra ainda que as variantes de uma comunidade de fala vão se postar sempre em relação de concorrência: padrão x não-padrão; conservadoras x inovadoras; de prestígio x estigmatizadas. Onde na maioria dos casos, a variante considerada padrão é, ao mesmo tempo, conservadora e que goza de prestígio sociolinguístico na sociedade. Ficando bem latente que a explicação para tais relações deve ser procurado sempre na configuração social da comunidade em questão, já que a língua como cita o autor, pode ser um fator extremamente importante na identificação de grupos, em sua configuração, como também uma possível maneira de demarcar diferenças sociais no seio de uma comunidade.


por Elder Neri

ABC do Sertão

Luíz Gonzaga

Composição: Zé Dantas / Luiz Gonzaga
Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê
Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê
Atenção que eu vou ensinar o ABC
A, bê, cê, dê, e
Fê, guê, agâ, i, ji,
ka, lê, mê, nê, o,
pê, quê, rê, ci
Tê, u, vê, xis, pissilone e zê.





Por Elder Neri

Variação Linguística

Professor Zenir Reis invoca Caymmi: "O pescador tem dois amor"
Publicada por Conceição Lemes em 22 de maio de 2011 (15:44) na Você escreve
Língua oral e escrita
por Zenir Campos Reis*, sugestão da leitora Maria Salete Magnoni, que foi sua orientanda
Antes de ler e escrever, falamos. A fala requer longo aprendizado. A boca existe prioritariamente para comer. Primum vivere. Aos poucos, desenvolvemos essa habilidade secundária de adaptar a boca, lábios, dentes e língua, para a emissão de sons inteligíveis, distintivos, que vão compor as palavras. No convívio social, os mais velhos ensinam aos mais jovens as regras de com-binação das palavras, isto é, as regras básicas de sintaxe.
A língua oral é econômica e tende à simplificação. Em português, por exemplo, a marca mais comum do plural é o “s” no final das palavras. Se esse fonema está presente no artigo fica entendido que estamos falando de mais de um objeto: o livro, os livro(s), um ou mais de um. Em outras línguas, o francês por exemplo, o “s” do plural nem é pronunciado: le livre, les livre(s). A marca do plural está presente apenas na diferença que a língua oral estabelece entre /le/ e /les/. Existem lingüistas que consideram a repetição da marca do plural uma espécie de pleonasmo, de repetição dispensável. Lembremo-nos da bela canção de Dorival Caymmi, “O bem do mar”, que começa assim:
O pescador tem dois amor
Um bem na terra,
Um bem no mar (bis)

O que fixa a língua é a letra, a escrita, para cuja conquista exige-se outro aprendizado, normalmente feito na escola. Compreende-se que a língua escrita não seja imediatamente acessível.
Antropologicamente, na história da humanidade, o aparecimento da escrita parece estar relacionado ao surgimento de sociedades mais complexas e ao aparecimento da divisão social e da dominação. A posse da letra sinalizava o poder. A imprensa, então, é uma invenção tardia, do século XVI. O primeiro livro impresso foi uma Bíblia e a leitura e interpretação desse livro sagrado começou a ser objeto de disputa.
A língua portuguesa, língua latina, proveio não do latim erudito, mas do chamado “latim vulgar”, o latim oral, falado por soldados (das tropas de ocupa-ção) e colonos iletrados ou pouco letrados. Um escritor de origem húngara, Paulo Rónai, grande conhecedor de línguas, quando tomou contato com a língua portuguesa, diz que lhe parecia um latim falado por pessoas desdentadas. Possivelmente era uma impressão verdadeira. Com certeza eram iletrados, pessoas “simples”, mais ou menos sinônimo de pobres. Muitos deles, desden-tados.
Esses pobres falavam, por exemplo “mágoa” ou “mancha”, em vez de “mácula”. Falavam “logro”, em vez de “lucro”. E diziam bem, diziam certo. Encontrei a palavra “resisto”, num sermão de Antônio Vieira, palavra que se diz em português do Brasil “registro”, ou, em Portugal, “registo”. Tudo muito certo, no contexto apropriado.
A disciplina gramatical costuma vir das camadas letradas, muitas vezes associadas ao poder político, isto é, às normas adotadas pelas autoridades políticas e transformadas em acordos, tratados, normas, transmitidos via minis-térios, academias, escolas oficiais.
A realidade da língua viva é muito mais complexa e indisciplinada, por-que a letra, que fixa a língua oral depende da alfabetização que não é univer-sal, nem neste país nem em muitos outros países, mesmo do mundo dito desenvolvido. Uma longa conversa, como se vê.
Zenir Campos Reis é professor aposentado de Literatura Brasileira na USP.
Leia aqui o texto de Daniela Jakubaszko sobre o “certo” e o “errado”
Matéria tirada do Viomundo - O que você não vê na mídia - http://www.viomundo.com.br
Link da matéria: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/professor-zenir-reis-chama-caymmi-o-pescador-tem-dois-amor.html


Por Maurílio Gadelha

sábado, 11 de junho de 2011

Sociolinguística e falares do Brasil

Caros amigos, a criação deste blog, tem como objetivo o estudo das particularidades linguísticas neste tão grande e variado Brasil. Contando com o apoio e a orientação da professora da disciplina de Sociolinguística da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Aluiza Alves de Azevedo. Tentaremos mostrar algumas particularidades, que tornam essa língua assaz amada no decorrer do tempo.
Iniciaremos nosso embate com a proposta do MEC, no Por uma vida melhor, para findar o Preconceito Linguístico no Ensino.  Onde postarei alguns vídeos e textos para reflexão. 

O primeiro texto, é uma reportagem da IG, feita pela jornalista Naiara Leão. Segue abaixo o link.

Achei assaz interessante essa reportagem concedida por Cesar Callegari, do Conselho Nacional de Educação ao jornalista Ederson Granetto.




Grato pela atenção, gostaria ainda de presenteá-los com o soneto que inspirou o nome do blog, de outro entusiasta da nossa língua portuguesa.


ULTIMA FLOR DO LÁCIO - por Olavo Bilac        
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura;
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
-
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
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Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
-
Em que da voz materna ouvi: "Meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!